Dia Nacional do Documentário BrasileiroConfira as principais contribuições brasileiras para o gênero da 7ª arte

Jornal Jr

O dia 07 de agosto foi escolhido pela Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-Metragistas como o Dia Nacional do Documentário Brasileiro em homenagem ao cineasta baiano Olney São Paulo, nascido nesse dia, no ano de 1963. Preso e torturado durante a ditadura militar, Olney fez grandes contribuições para o cinema nacional.

Apesar da tendência generalizada de associar o gênero à objetividade, com filmes que retratam a realidade, cada documentário é produzido sob a ótica do cinegrafista e, portanto, traz uma reconstrução crítica do fato ou acontecimento.

É justamente essa característica que faz com que o gênero seja tão cativante. No Brasil, por mais que a produção audiovisual tenha sofrido um boom de criação e produção nos últimos anos, ainda existem muitos empecilhos que impedem o pleno desenvolvimento dessa indústria. Nas palavras do cineasta José Padilha, diretor de Tropa de Elite, em entrevista à Folha de S. Paulo, “não existe política organizada, estruturada e pensada para o setor audiovisual. O sistema de fiscalização é muito falho e não há processo institucionalizado na alocação de recursos.”

Em comemoração ao dia de hoje, a Jornal Jr. separou uma lista com os principais documentários brasileiros já produzidos. Confira:

1. Cabra Marcado Para Morrer (1984), Eduardo Coutinho

O filme retrata a morte de João Pedro Teixeira, líder da Liga Camponesa de Sapé na Paraíba, e as consequências que a perseguição política perpetrada pelo ominoso golpe militar de 1964 fez na vida das pessoas que estavam presentes nas primeiras gravações do filme.

Em razão do golpe militar, as filmagens foram interrompidas em 1964. O engenho da Galileia foi cercado por forças policiais e parte da equipe foi presa sob a alegação de “comunismo”, enquanto o restante dispersou-se. O trabalho foi retomado 17 anos depois, recolhendo-se depoimentos dos camponeses que trabalharam nas primeiras filmagens

Reprodução: Contexto Livre

2. Ilha das Flores (1989), Jorge Furtado

Ilha das Flores acompanha a trajetória de um tomate que é plantado, colhido, transportado e vendido num supermercado, mas apodrece e acaba no lixo. O filme segue-o até seu verdadeiro final e então fica clara a diferença que existe entre tomates, porcos e seres humanos. De forma ácida e com uma linguagem quase científica, o curta mostra como a economia gera relações sociais desiguais.

Reprodução: Cena de ‘Ilha das Flores’

3. Ônibus 174 (2002), José Padilha

O documentário é sobre o sequestro do ônibus 174, que foi filmado e transmitido ao vivo pela televisão, cujas imagens são mostradas no documentário. Porém, um dos argumentos sustentado por José Padilha é que o rapaz em foco tenha sido vítima de um processo de exclusão social a tal ponto que ele tenha se bandeado para o crime, não por escolha própria, mas por abandono por parte das autoridades do Estado do Rio de Janeiro. O filme mostra o processo de transformação da criança de rua em bandido e sugere as causas da violência nas grandes cidades do Brasil.

Reprodução: Último Segundo – iG

4. O Prisioneiro da Grade de Ferro (2003), Paulo Sacramento

Utilizando as técnicas aprendidas em um curso de filmagem ministrado dentro do presídio, os detentos encarcerados no maior centro de detenção da América Latina documentam seu cotidiano, registrando as condições precárias nas quais sobrevivem, dez anos após os acontecimentos de um dos episódios mais sangrentos da história do Brasil, o Massacre do Carandiru, que custou a vida de mais de uma centena de detentos.

O documentário retrata a ineficácia do sistema carcerário brasileiro, sobretudo sua falha no processo de ressocialização.

dia nacional do documentário

5. Edifício Master (2002), Eduardo Coutinho

O filme é sobre um antigo e tradicional edifício situado em Copacabana, na cidade do Rio de Janeiro, que tem 12 andares, 23 apartamentos por andar, 276 apartamentos conjugados e em média 500 moradores no prédio inteiro.

Na produção de Edifício Master, o diretor e sua equipe mantiveram-se durante três semanas dentro do edifício, literalmente morando lá, com a intenção de que ocorresse uma ambientação entre a equipe que produzia o documentário e os moradores.

Reprodução: Cena do filme ‘Edifício Master’

6. Quebrando o Tabu (2011), Fernando Grostein Andrade e Cosmo Feliding-Mellen

Na década de 70 os Estados Unidos fizeram o planeta declarar guerra às drogas, numa tentativa de obter um mundo livre delas. Mas os danos causados por drogas nas pessoas e na sociedade só aumentaram.

Com várias personalidades como Fernando Henrique Cardoso, o filme sai ao encontro de soluções, princípios e conclusões, mantendo o foco das discussões em torno da descriminalização das drogas. Bill Clinton, Jimmy Carter e ex-chefes de Estado mostram o motivo de suas opiniões. É capturado o relato de pessoas comuns, que tiveram suas vidas atingidas pela Guerra às Drogas, até experiências de Drauzio Varella, Paulo Coelho e Gael Garcia Bernal.

Reprodução: Catraca Livre

E você, conhece algum outro documentário brasileiro interessante? Deixe nos comentários sua sugestão!

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