Vestibular: O desafio que vai além de uma prova

Jornal Jr

Sem peso na consciência: Aquele livro do Machado de Assis pode esperar enquanto você lê essa crônica

Não me recordo de quando decidi fazer faculdade. Talvez em algum momento no primeiro ano do ensino médio, quando os professores começaram a falar sobre vestibular, esquecendo de nos contar os outros caminhos que existem quando concluímos os estudos escolares.

Sabendo o porquê ou não, eu decidi entrar em uma universidade. E o primeiro passo foi escolher o curso: Costumam dizer que você deve fazer o que gosta, então a busca pelos cursos que tem algo a ver com as suas matérias preferidas na escola se inicia. E essa escolha já pode ser a sua primeira dor de cabeça em relação ao mundo universitário.

O segundo passo dessa fase é lidar com tudo o que vem depois, até o dia da aprovação: A organização, dedicação, estudos de matérias chatas, cobranças, professores, colegas de sala, família, consciência, tempo… Tudo e todos que faziam parte da sua rotina, mesmo que indiretamente, tornam-se motivo de pressão para a mente de quem vai prestar vestibular.

Claro, a história não se repete dessa forma para todos. Alguns suportam o momento com facilidade, sem grandes distorções no dia a dia; outros não, agregando à vida mais desafios que vão além do vestibular, mas que perseguem as emoções fora dele também.

Não é fácil resolver problemas de cálculo estequiométrico e nem entender por que o Japão atacou Pearl Harbor; também não é muito fácil compreender todas as regras e especificações de cada prova; é complicado resolver 90 questões e fazer uma redação em cinco horas e meia, quando o seu corpo só pede por uma pausa; e não é fácil encarar a rejeição, caso o plano A tenha falhado.

vestibular

É um sistema de seleção confuso, talvez errado e injusto: Depositar toda a sua bagagem de estudos em uma única tarde, pintando algumas bolinhas, não deveria ser um método de escolha. Não é algo que define o que alguém é, o que alguém sabe ou se essa pessoa é merecedora de algo: Todos são. Essas barreiras não devem fazer com que o sentimento de inferioridade apareça e nem impedir a conquista de objetivos.

Eu não posso voltar no tempo e acalmar minha antiga eu, que estaria desesperada por querer colocar as letras de Ep = K.Q.q/d no alfabeto, ao invés de pôr em uma conta. Mas eu voltaria para garantir que em algum momento tudo daria certo, independente dos passos que eu fosse dar em qualquer caminho escolhido.

A fase de vestibular não é nada mais do que um período de tempo: Uma época de um grande desafio, que vai sim exigir esforços e sacrifícios que vão além dos livros… Mas que quando terminar, contemplará com um sentimento de realização que irá marcar toda a sua carreira traçada dali em diante.

Talvez essa noção desafiadora do vestibular seja a fase preparatória para as mudanças que aparecerão com a aprovação: Sair da zona de conforto chamada “casa”; ir para uma cidade totalmente diferente e, literalmente, aprender a sobreviver; assustar-se mais com uma panela de pressão do que com questões de vestibular… Fora lidar com o que a faculdade apresentará: Um ambiente diferente, pessoas novas e algumas festas também, mas mais ainda trabalhos e textos para todas as aulas. Na vida universitária você faz um vestibular por dia, mas de outras formas. 

Então não se assuste com as provas, não se desespere e não se menospreze. Todo o esforço é agregado de forma positiva, seja no conhecimento ou amadurecimento em lidar com desafios. Independente do final, você perceberá que boas coisas dessa fase ficarão na sua história, e no futuro pode até sentir saudades desse gostinho desafiador que é prestar o vestibular.

Texto por: Laura Gallinari

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