Cursinhos da Unesp geram oportunidades de inclusão nas universidades

Jornal Jr

Com os vestibulares batendo na porta dos estudantes, o apoio de professores e familiares fazem toda a diferença

Fazer uma redação adequada, encontrar o sujeito da oração, balancear equações químicas, achar a força centrípeta do movimento, calcular o volume do cubo. Quais as consequências da Guerra Fria? Qual a vegetação predominante do Nordeste?  Ufa! Tudo isso e muito mais está fervilhando na cabeça dos vestibulandos!

Durante toda a vida acadêmica, o aluno se prepara para o vestibular, contudo a pressão para saber de tudo um pouco e ainda se sair bem nas provas para faculdade pode gerar um grande estresse para os estudantes. Os últimos três meses parecem decisivos na vida de quem está prestando vestibular e a pressão de escolher uma carreira e ter sucesso mostram a realidade por trás do sistema de ensino brasileiro.

Nesse quadro, os cursinhos preparatórios da Unesp tentam quebrar a bolha que envolve a universidade e melhorar a inserção de alunos de todas as classes sociais no espaço acadêmico.

A bolha que envolve as universidades

A Unesp de Bauru oferece cursinhos gratuitos preparatórios para todos os alunos do 3º ano ou para os que já concluíram o ensino médio. Dentro do campus, os cursinhos Primeiro de Maio, Principia e Ferradura Mirim oferecem aos alunos uma experiência educativo completa, quebrando padrões enraizados sobre as universidades.

A importância do papel dos cursinhos é clara tanto para alunos e ex-alunos, quanto para os professores e coordenadores dos projetos.

A aluna de jornalismo e professora do cursinho Ferradura, Julia Belioglo, vê dois fatores de grande importância dos projetos na vida dos alunos: por ser um cursinho para alunos, principalmente, de baixa renda, há uma maior inclusão para dentro das universidades, além disso, quebra-se a bolha que existe em volta dessas instituições.

Essa “bolha” universitária é explicada por Amira Rabah, que cursa psicologia e no cursinho Ferradura, atua na coordenação do projeto. Ela vê o modelo de vestibulares brasileiros como um processo que exclui alunos menos favorecidos.

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Aluna do cursinho Principia fazendo simulado (Foto: Marcela Benetti/Jornal Jr.)

Para Amira, “fica clara a importância de um projeto que vai contra esse modelo, e que dá aos alunos participantes de uma educação defasada, chances reais de competir com pessoas que tiveram uma vida de privilégios”, enfatiza.

A atuação dos cursinhos da Unesp é comprovada na vida de alunos que já passaram por esses projetos, como é o caso de Rodolpho Camargo, aluno do Primeiro de Maio em 2009 e que hoje faz mestrado na USP de Bauru. “Foi meu primeiro contato com a Unesp, até então, eu só via a universidade como um local  extremamente privilegiado e longe do meu alcance”, explicou ele, sobre a importância do cursinho em sua vida escolar.

Primeiro contato com a academia

Além de atuar como agente transformador na vida escolar dos alunos, os cursinhos da Unesp também fornecem o primeiro contato e interação com a universidade, algo que estimula os vestibulandos durante todo o ano de preparações e escolhas.

A animação dos alunos ao ingressarem nos cursinhos é vista tanto por professores quanto por coordenadores. A coordenadora do Ferradura conta que os estudantes “chegam animados, deslumbrados pela Unesp, pelo ambiente universitário, com os olhinhos brilhando, pensando na possibilidade de ano que vem estar lá como aluno”.

Para o ex-aluno do cursinho Primeiro de Maio, Rennan Eduardo Campoy, o projeto foi fundamental para a entrada em Ciência da Computação, que ainda cursa dentro da Unesp de Bauru. “Tive a oportunidade de fazer amizade com muitos alunos e professores que vejo até hoje no campus e pude conhecer muito mais da Unesp”, conclui.

Ao longo dos meses, contudo, o cansaço e a pressão, além de outros fatores pessoais, levam a desestimulação de grande parte dos alunos, sendo que parte deles desistem das aulas. “Os que ficam até o final ou só estão ali pelo ambiente da Unesp e já desistiram de estudar, ou realmente estão dando tudo de si, o que muitas vezes custa a saúde mental e física deles”, explica Amira.

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Letícia Brante, coordenadora pedagógica e professora de inglês, e Amira Santos, coordenadora pedagógica e secretária do cursinho Ferradura (Foto: Marcela Benetti/Jornal Jr.)

Todo esse desgaste causado pelos longos meses de estudo intenso causa grande pressão nos alunos, contudo, o apoio das pessoas que estão envolta dos estudantes faz a diferença.

Liberando a pressão

Ansiedade, nervosismo, estresse são quadros comuns para quase todos os alunos que estão em ano de vestibular, até mesmo para Mirian Farias, estudante do cursinho Principia e que pretende prestar jornalismo na Unesp de Bauru.

A aluna acredita que, de uma forma ou de outra, sempre vai haver algum tipo de pressão, mas tenta lidar com esse fator da melhor maneira possível, tendo sempre ajuda dos pais. “Eu sei que se esse ano não der, ano que vem eu terei a possibilidade de tentar novamente”, enfatiza.

Além do apoio familiar, os próprios professores dos cursinhos da Unesp apoiam o aluno em toda a sua jornada. A professora Julia Belioglo conta que, no Ferradura, há um sistema de tutoramento, em que cada professor se responsabiliza por um número de alunos, dando-lhes suporte nos estudos e nos problemas pessoais. “Quando eles estão tendo problemas de ansiedade, estudo e com organização de horário, eles procuram a gente”, afirma.

Rennan Campoy lembra que, na sua época de cursinho, muito dos professores tentavam passar tranquilidade para ao alunos, por já terem enfrentado aquela fase. Essa ajuda é enfatizada por Julia ao expor: “É importante que alunos da graduação deem aula, porque a gente já teve essa experiência da ansiedade pela faculdade, tornando a relação [com os alunos do cursinho] mais calorosa”.

É importante, portanto, tentar sempre buscar um equilíbrio nos estudos e nas decisões que devem ser tomadas. O vestibular é, sim, uma fase difícil na vida de um estudante, mas os ex-alunos dos cursinhos da Unesp acreditam que é possível chegar aos objetivos.

“O vestibular é só uma das pequenas etapas da nossa construção e é uma prova que ocorre todo ano. O que eu acho mais importante para o vestibulando é se sentir confortável com a opção que tomou, não escolher um curso por pressão das outras pessoas”, estimula Rennan.

Já Rodolpho ressalta a importância de se conversar com alguém durante esse período de ansiedade. Dessa forma, tente escolher uma área do seu interesse mas mantenha em mente que é possível mudar caso você não goste daquilo. Desejo uma ótima sorte e sempre procure ajuda se achar que não dará conta da pressão”, conclui.

Depois disso, não nos basta dizer mais nada além de: Boa sorte, vestibulando!

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