Câncer de Mama: tocar-se faz bem para o peito

Jornal Jr

O que é ser mulher?

Ser mulher é ser forte, sensível, guerreira. É saber lutar quando o mundo impõe barreiras, é tentar e conseguir, é ser livre para ser o que quiser. É ser feliz. Ser mulher é se tocar.

Cuidar de si mesma é a essência para se sentir bem e feliz, por isso, mulher, é importante que você se toque com frequência. Sim, um simples toque pode fazer uma grande diferença em sua vida e, por isso, no Outubro Rosa, toda a população feminina é convocada para prevenir o câncer de mama.

O câncer de mama é o segundo tipo de tumor mais frequente no mundo. Para as mulheres, é o tipo que ocorre com maior frequência, já que 1 a cada 4 tipos de câncer que afetam o sexo feminino é o de mama, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Esse tumor é o que mais mata mulheres no mundo, sendo que, em 2012, 14,7% dos casos de morte por câncer eram de pacientes com câncer de mama, segundo dados da Agência Internacional para a Pesquisa do Câncer.

No Brasil, os números são dados pelo INCA e mostram que o câncer de mama causa cerca de 512 mil mortes por ano. A região com maior número de casos é o Sudeste, com 64,54 casos a cada 100 mil mulheres, sendo seguido pelo Sul, Centro-Oeste, Nordeste e Norte.

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Fundação Telefônica/Reprodução

O Toque Amigo

Pesquisas feitas pelo INCA em Outubro de 2016, confirmam que 66,2% dos casos de câncer de mama são descobertos pelas próprias mulheres, quando elas notam alterações na mama.

Foi dessa forma que Mara Angélica Raimundo, de 57 anos, descobriu que estava com caroços no seio esquerdo. Em 2011, após uma amiga apresentar nódulos na mama, a aposentada começou a fazer o autoexame, que consiste em tocar o peito em busca de alguma alteração nessa área do corpo.

Após ir ao médico, Mara descobriu que estava com cinco caroços no seio, começando, assim, o tratamento de quimioterapia, antes do processo operatório. Ela afirma que perdeu cabelo e ficou muito inchada com o procedimento. “É uma fase muito difícil da vida da gente, mas que supera”, contou.

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Mara Angélica Raimundo teve câncer e hoje trabalha no grupo Amigas do Peito de Bauru (Gabriela Gomes/Jornal Jr)

Depois do tratamento de quimioterapia, a aposentada passou pela cirurgia de mastectomia, contudo, não fez o procedimento para recolocar a mama de imediato. Esse fato fez com que a paciente ficasse muito abalada, e Mara reconhece que a ajuda dos familiares foi fundamental para a superação, “Minha família deu um apoio maravilhoso”, confirmou com orgulho.

O exame do toque, entretanto, não foi eficiente no caso de Roseli Yumi Koike, de 56 anos, que só descobriu o câncer de mama durante um exame de rotina, em 2015. A mamografia feita pela aposentada também não acusou nada, isso porque o nódulo estava escondido bem atrás da mama, um tipo raro de quadro desse tumor.

No caso de Roseli, o único tratamento era a quimioterapia, para logo em seguida fazer a cirurgia e a radioterapia, isso porque “o meu tipo de câncer não tem muito estudo, é triplo negativo, então não tem a terapia alvo, aquela que não prejudica tanto”, explica a aposentada. Devido aos procedimentos, ela perdeu cabelos e teve unhas e dentes prejudicados.

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A.C.Camargo Cancer Center/Reprodução

 

Para Roseli Yumi, o pior do tratamento de câncer de mama são os remédios e os procedimentos. “A primeira vez que fiz a quimioterapia, no começo eu não senti nada, mas a partir da segunda que comecei a ficar mal. Comecei a sentir enjoo, não conseguia comer nada, tomar água”, relatou.

Mara confirma a dificuldade que a mulher passa durante o tratamento do tumor e como ele debilita a paciente.A pessoa está achando que a vida dela acabou, mas não é, está apenas começando. A pessoa vai ficar tudo bem, é um tempo ruim da vida da gente, mas a gente acaba esquecendo”, refletiu a aposentada, que acredita que as mulheres com câncer de mama devam ser persistentes e não desistir do tratamento.

Ajuda que muda vidas

Em Bauru, existem associações e iniciativas que auxiliam pacientes que passam, ou já passaram, pelo quadro de câncer de mama.  Desde 2003, o Amigas do Peito é um grupo sem fins lucrativos com objetivo de unir as pacientes, para que elas troquem experiências. Segundo Mara Angélica, uma das participantes do projeto, o objetivo é ajudar realmente as mulheres com câncer de mama, dar maior sentido a vida”.

O Amigas do Peito fornecem ajuda tanto moral quanto psicológica, emprestando perucas, doando próteses de mama, sutiãs próprios para quem passa pela cirurgia, lenços e gorros. Além disso, o grupo também disponibiliza aulas de artesanato e atividades físicas.As mulheres vão lá, chegam ruim, com a cabeça baixa, chorando e saem contente”, contou Mara.

A Unesp-Bauru também possui um projeto de ajuda as mulheres com câncer de mama, em parceria com o grupo Amigas do Peito. Gleice Soares dos Reis, de 22 anos, é estudante de educação física na universidade e uma das envolvidas no trabalho desenvolvido pelos alunos. Ela conta que o projeto consiste na promoção de um trabalho com exercícios físicos para a melhora da qualidade de vida para as mulheres que tiveram câncer de mama. “É algo mais geral e bem adaptada, porque tem coisas que elas não podem fazer”, explicou Gleice.

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Alunos da Unesp desenvolvem projeto para auxiliar paciente com câncer de mama (Gabriela Gomes/Jornal Jr.)

A aluna ainda afirma que o retorno das atividades são muito positivas, gerando melhoras psicológicas nas pacientes, principalmente no humor. Além disso, a prática de exercícios físicos diminui a chance de reincidência do câncer mama, e também é importante para trazer de volta a funcionalidade da paciente, que pode perder a sensibilidade, a força e a massa muscular do peitoral e dos braços.

“A gente quer que elas voltem a ter uma rotina normal. Melhorar mobilidade, coordenação, equilíbrio, fazê-las praticarem exercício físico, porque tem muitas que já não faziam. A mulher voltar a ser ativa”, finaliza a aluna de educação física.

Segundo o INCA, 30% dos casos desse tipo de doença podem ser evitados com bons hábitos. Entre as recomendações do Instituto, estão a prática regular de atividade física, uma alimentação saudável, manter um peso adequado, amamentar e evitar o consumo de bebidas alcoólicas.

Portanto, a importância do Outubro Rosa está na mobilização de todas as mulheres para manter a saúde em dia e prevenir o câncer de mama, permitindo que todas sejam felizes… sejam mulheres.

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