Perfil | Entrevista: João Vitor Bignarde

Jornal Jr

Joao VitorJoão Vitor Binarde, 22 anos, está no último ano de Rádio e TV na Unesp. Não pense que pela pouca idade ele não tem muita história para contar. Pelo contrário. Desde os 14, 15 anos, João Vitor já rabiscava suas próprias narrativas, a maioria delas de ficção. O gosto por criar o levou ao  curso de Rádio e TV para aperfeiçoar-se na arte de criar e trabalhar com isso.

Logo no início da faculdade, escreveu o roteiro “Tribulações”, baseado no livro Atribulações de um Chinês na China de Julio Verne, para um trabalho interdisciplinar do 2º ano.

2011 foi um ano cheio na vida profissional de João Vitor.  Começou a trabalhar  na Locomotiva, Empresa Júnior, continuando até hoje e  na Ad Produtora, especializada em Institucional e Comercial no segmento de vídeo profissional, permanecendo até o ano seguinte. Participou do “Projeto Acredite” no qual sua peça foi uma das 100 selecionadas para publicação no livro Acredite Universitários.

Em 2012 criou um curta-metragem intitulado “Faxineira”, que faz referência direta ao Canto V do livro Os Lusíadas de Camões. Também participou do projeto interdisciplinar “Batalha de Repúblicas”, que foi designado para ser um programa ao vivo com transmissão online e contou na estreia com 2000 visualizações, mais de 600 “curtir” no Facebook e um alcance de mais de 50 mil pessoas.

Em entrevista a Jornal Jr., João Vitor dá uma prévia dos assuntos que serão abordados em seu workshop, explicando conceitos gerais da narrativa, como a Jornada do Herói, e até auxiliando a criar voz autoral.

Todos os textos narrativos possuem os mesmo elementos básicos em sua composição. De que forma pode-se enriquecer um texto, mesmo seguindo esses elementos que são padrão?

A experiência pessoal de cada um já deixará a história original. Mesmo seguindo certos padrões, as visões e interpretações de cada um são únicas, o que torna o texto também único.

Quais são os processos que levam uma pessoa a encontrar a sua própria voz autoral?

Na oficina irei realizar exercícios de reflexão e auto-análise, por meio de perguntas. Cada participante irá respondê-las e, como é bastante pessoal não existe certo ou errado. Feito isso, o próprio participante irá perceber suas preferências que obteve de acordo com suas respostas, nos mais diversos campos como literatura, cinema e música. As suas preferências juntamente a uma visão de líder irá gerar uma voz única para você. Foi assim que eu descobri a minha própria voz autoral.

Na sua opinião, por que fazemos ficção, isto é, criamos ilusões de realidades, espaços e pessoas inexistentes para contar histórias que nunca aconteceram?

Todo mundo gosta de uma boa história! Então as pessoas irão criar novas realidades que lhe agradem. Para exemplificar podemos citar o filme “As Aventuras de Pi”, onde no final do próprio filme ele reinventa a história, isto é, em um pequeno resumo de cinco linhas ele modifica o final do acontecimento. Há, inclusive, uma certa provocação do telespectador, quando o personagem Pi diz “Qual final você prefere?” O filme todo é muito rico, pois cada pessoa irá tirar uma interpretação da história, de acordo com experiências e crenças pessoais. Assim, a história reflete aquilo que o leitor quiser que seja refletido.

De onde surgiu a Jornada do Herói? [ jornada cíclica presente em todas as narrativas e que possui doze passos, conforme imagem abaixo] .

Joseph Campbell lançou um livro chamado O herói de mil faces como resultado  de um longo e minucioso trabalho que desenvolveu ao pesquisar a estrutura de mitos, lendas e fábulas. Mas se observarmos a própria sociedade, há elementos que compõem a Jornada do Herói. Por exemplo, na própria hora do vestibular, os estudantes enfrentam o fator decisivo da escolha. Então até realizarem a prova, há um momento de preparação. Em vários outros eventos do cotidiano, podemos usar esse modelo. No livro de  Christopher Vogler, A Jornada do Escritor, os doze passos da Jornada do Herói são trazidos para fora dos livros e analisados na vida real. Assim como a Jornada do Herói segue um padrão, a jornada dos seres humanos também são iguais, com nascimento, crescimento e declínio. Percebemos, então,  que ela é muito mais do que uma fórmula para escrever histórias,  está presente na sociedade.

imagem da jornada do herói

Oficina: “Workshop de Estruturação e Criação de Histórias”

Dia: 24 de outubro, das 8h às 12h 

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