Perfil|Entrevista: Paulo Cannabrava Filho

Jornalista militante é um dos convidados da SeCom e vai discutir a comunicação na América Latina

Anna Satie

284737_10150239999209613_7973639_nExilado na ditadura e jornalista há mais de cinqüenta anos: este é Paulo Cannabrava Filho, um dos participantes da SeCom. Atualmente é diretor da Nova Sociedade Comunicação, empresa especializada em desenvolver projetos de comunicação e jornalismo.

Em 1968, deixou o país para escapar da repressão do regime militar e durante os doze anos que passou no exílio, trabalhou como correspondente da agência de notícias France Press e atuou como repórter especial em jornais na Bolívia, Peru e Panamá.

Quando retornou ao Brasil, integrou a equipe dos Cadernos do Terceiro Mundo desde sua fundação, em 1975, até sua última edição, em 2005, foi diretor de redação da TV Gazeta e editor do Jornal do País.

Também é autor de vários livros sobre conjuntura latino-americana, com edições na Europa e em toda América Latina, como Adhemar de Barros – Trajetória de Realizações e No olho do Furacão – América Latina nos anos 1960 e 1970.

Discutindo a comunicação como instrumento eficaz para o processo de consolidação de unidade cultural latina, Cannabrava Filho será parte da mesa “Comunicação e Política na América Latina” na SeCom.

Confira a entrevista com o convidado abaixo.

O senhor poderia fazer um breve resumo do seu currículo?

Trabalhei durante dez anos como repórter, repórter de política, editor de política, em importantes jornais do Rio (Correio da Manhã) e de São Paulo (Última Hora, A Nação e Folha de São Paulo). Dirigi o jornalismo da Rádio Marconi e fui correspondente de Prensa Latina. Isso até 1968 quando tive que deixar o país para escapar de perseguição política. Foram 12 anos de exílio até meu retorno em março de 1980. Nesse período trabalhei em Radio Havana, Cuba, na Agência France Press na Bolívia e no Peru, fui editor no El Nacional de Bolívia e no Expreso de Lima, e finalmente, de 1977 a 1980 estive no Panamá, como responsável pela comunicação na Comissão de Negociação dos novos Tratados do Canal e diretor da Agência Interpress. De 1975 a 2005 integrei a equipe de Cadernos do Terceiro Mundo, o meio alternativo de maior duração na América Latina, que chegou a circular com edições em português, espanhol e inglês, distribuída em três continentes (América, Europa e África)

Como surgiu o interesse pelo tema da sua palestra, a comunicação e a política da América Latina?

Desde o início de minha carreira estive envolvido com comunicação (verdadeira paixão) e com os problemas da superação do subdesenvolvimento (mental e econômico). Quando fui convidado a integrar a equipe de Prensa Latina, em 1960, foi porque eu já estava envolvido com a temática da luta dos povos por sua libertação e/ou emancipação, o confronto com o colonialismo que ainda existia e persiste, o imperialismo e suas guerras. São mais de 50 anos dedicados a esse tema em toda sua complexidade. Nunca parei e hoje dirijo a revista virtual bilingue Diálogos do Sul, herdeira dos Cadernos do Terceiro Mundo.

Como o senhor acha que a comunicação contribui para o processo de consolidação de unidade cultural latina?

O projeto Diálogos do Sul tem como objetivo trabalhar pela unidade política da América Latina valorizando sua diversidade cultural. Isso num contexto de olhar o mundo visto do Sul, onde estão os países contra-hegemônicos. A comunicação é fundamental para criar consciência e obter o engajamento das pessoas no projeto integracionista que nos levará a Pátria Grande sonhada por Bolívar.

O que se pode esperar da sua palestra na Semana de Comunicação?

Pretendo que seja instigadora e ajude a formar consciência de que o mundo é obra humana e pode, portanto, ser melhorado pelos humanos.

Mesa: “Comunicação e Política na América Latina: Caminhos e Incertezas

Dia: 23 de outubrodas  14h às 18h

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