DA CULTURA CAIPIRA PARA A ERA DO FACEBOOK

Entenda mais sobre cultura, memória e planejamentos para administrar páginas no Facebook

por Bianca Landi e Elisa Espósito

“Tudo depende da leitura de cada um”. É a partir dessa afirmação que o professor Antonio Walter desenvolve seu estudo sobre “Fundamentos da Cultura Caipira: uma leitura antropológica”. Assim, ao vermos um quadro, uma música ou uma escultura, cada um de nós terá uma sensação, uma percepção que é definida pela cultura que cada indivíduo possui. Inclusive essa palestra, cada um sentiu algo diferente.

Essas percepções pessoais vem da cultura que possuímos e constituímos ao longo da vida.Todos nós temos cultura, ao contrário do que se costuma achar já que é comum associarmos cultura a apenas o que é erudito, cult. Para evidenciar tal aspecto o palestrante, com certo bom humor, pergunta aos espectadores de onde cada um é. Logo percebe que há uma variedade cultural em sua própria palestra: havia pessoas do norte de Minas Gerais (cultura sertaneja), São Paulo (cultura urbana), Santos (cultura caiçara) e Monte Alto (cultura caipira).

A convivência com os vários tipos culturais que torna o país rico e miscigenado. Mas nem todas as culturas são valorizadas da mesma forma. Há,ainda muito preconceito com o caipirismo. “Ninguém gosta de ser taxado de caipira. As vezes a pessoa até se sente ofendida quando chamamos: ô seu caipira”. Por conta da desvalorização, certos hábitos até se perderam ou desapareceram como a Festa do Divino, hoje até desconhecida e celebrada mais fortemente em Minas Gerais.

Com isso, ocorre a desaculturação, principalmente pela massificação cultural e a globalização. “Quando uma cultura resiste hoje em dia, geralmente tomou um novo caráter, uma nova roupagem. Como o próprio carnaval, onde existem padrões a serem seguidos. Se não existir trio elétrico, fantasias e aquele apelo sensual não é carnaval.”

Mantendo sua tese da importância da cultura de cada lugar, Antonio nos convida a um panorama dos diferentes hábitos regionais e mostrando como há influências desses hábitos no nosso dia-a-dia. Por meio de um “dialeto caipira”, uma espécie de “dicionário” mostra como na nossa própria fala há nuances caipiras: como o  famoso “r”puxado. Sem falar nas comidas típicas que lembram infância ou festa junina: tutu de feijão, fubá, paçoca, pé de moleque, pamonha, arroz tropeiro, caipirinha, quentão, dentre outros. 

Por isso, as diferentes culturais devem ser valorizadas para que elas continuem a existir. Preconceitos e esteriótipos criados pela mídia ou pelo senso comum devem ser deixados de lado, pois trata-se da constituição de uma cultura maior: a brasileira.

Na sala ao lado, ocorria uma palestra que também valorizava os aspectos culturais, evidenciando a importância da lembrança denominada “O Desejo da Memória”.

Para entendermos como funciona nossa memória, Rafaela Prata explica o funcionamento do cérebro, os tipos de armazenamento dos fatos e como ocorre o resgate de informações, já que hoje em dia existe um grande medo do esquecimento.

Os meios de comunicação parecem compreender perfeitamente como funciona a mente humana e utilizam-se inclusive de técnicas para o telespectador gravar algo como imagens chamativas, sons, dentre outros. Com isso, a memória é utilizada como recurso de consumo para vender ou divulgar um produto. Por isso há a existência de marcas mais famosas ou menos famosas, principalmente pelo auxílio da publicidade.

Mas, com o excesso de informação existente no mundo globalizado, as dificuldades não ficam por conta apenas em lembrar dos fatos. É difícil fixar e selecionar o que é importante. As vezes uma propaganda é gravada, mas um documentário ou uma aula que necessitavam serem lembrados não alcançaram o mesmo efeito. Nem sempre conseguimos selecionar o que desejamos gravar.

Para não deixar o ouvinte frustrado, Rafaela explica que a mente humana trabalha em função do próprio indivíduo. É claro que ela possui influências do meio externo, mas a lembrança visa causar um bem-estar no indivíduo e não o contrário. Por isso é comum nos lembrarmos mais de fatos que nos agradam, momentos da infância ao invés de brigas e traumas.

Falando em mundo globalizado e informação, caminhando para o LEE encontramos Tatiana Aoki ministrando a oficina Estratégias para Facebook. Graduada em Jornalismo pela UNESP de Bauru e com mestrado na Escola de Comunicação e Artes (ECA-USP) Tati, como prefere ser chamada, é diretora de mídias sociais, função na qual administra páginas do Facebook de empresas, como o grupo Abril por exemplo. Foi ao passar uma temporada no Japão que Tati desenvolveu o interesse pelas mídias sociais, iniciando sua parceria com elas.

Logo no início da oficina, Tati interagiu com os participantes, perguntando seus nomes, idades, cursos e cidades. Dos 15 ouvintes presentes, a maioria também é administradora de páginas no Facebook e escolheu participar da oficina em busca de dicas para melhor manuseio delas.

Esse é o caso de Aline Mendes, assessora de imprensa da Diocese de Bauru. Aline saiu muito satisfeita da oficina, reconhecendo que algumas das estratégias aprendidas com Tati nunca nem passaram pela sua cabeça. Ela faz uso das palavras ditas pela própria oficineira durante a transmissão de aprendizado de que o ideal não é “estar nas redes sociais apenas por estar”, mas ter um planejamento, uma estratégia e uma percepção do perfil das pessoas que acompanham a sua página. Quando questionada sobre qual estratégia dentre as transmitidas teria sido a mais interessante para ela, Aline diz que a lição mais significativa foi a de que a reunião de estratégias é extremamente importante, e não só um ponto entre elas.

Tati comprovou essa tese com uma experiência prática proposta aos ouvintes ao final da oficina. Ela desafiou os presentes a criarem uma estratégia a ser vendida para um cliente, que no caso era o canal National Geographic. Divididas em grupos, as pessoas tinham de buscar imagens e frases que chamassem a atenção do público alvo para a primeira etapa de inscrição do projeto Viagem do Conhecimento. A estratégia vencedora será publicada na página da NG no Facebook.

Para Tati, o diferencial do Facebook foi a simplicidade da página em seus primeiros meses. Ela diz que foi uma “sorte de time”, já que o Orkut estava mal entre seus usuários por causa de seu design, que começara a desagradá-los. Em entrevista, o tema do grande número de páginas criadas todos os dias na internet foi colocado em pauta. Por estarmos em tempos de intensa disseminação de informações, Tati crê que o comunicador tem o papel de curador da informação. Para ela, a importância do jornalista se dá por ele saber diferenciar o que é verdadeiro do que não é, em meio a um bombardeio de acontecimentos que nem sempre têm sua veracidade intacta. 

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