O presente e o futuro dos jornais para iPad

Novos aplicativos permitem jornal diário online

 Por Laís Rodrigues
Com a máxima “Uma nova época exige um novo jornalismo” usada como slogan, a empresa americana News Corp lançou, em 2 de fevereiro deste ano, o The Daily, primeiro jornal feito exclusivamente para o iPad. O projeto surgiu com o objetivo de combinar a produção tradicional da notícia às capacidades únicas de interatividade do tablet.

O download do aplicativo está disponível na loja online da Apple e custa US$ 0,99 por semana, US$ 39,99 por ano. O conteúdo é variado e vai desde fofocas a política internacional, passando por artes, esportes, clima, horóscopo, aplicativos e games. Em breve, a ideia é disponibilizar o serviço também para outros tablets, como o Galaxy Tab, da Samsung.

O problema é que a empreitada pioneira mostra sinais de fracasso. Mesmo com pedidos da mídia, a News Corp não divulgou, até agora, um número exato de assinantes do serviço. Fontes anônimas revelaram para a revista Forbes que o aplicativo foi baixado 500 mil vezes e que 75 mil pessoas se tornaram usuárias regulares durante as duas primeiras semanas, quando o serviço era gratuito.

Mas esses números não são promissores, já que o jornal gasta US$ 500 mil por semana para a produção de conteúdo e precisaria de cerca de 750 mil assinantes ao ano para recuperar o investimento inicial de US$ 30 milhões, sem contar a cota publicitária.

O jornal não teve tanto sucesso porque, logo nas semanas de teste, os leitores ficaram frustrados com alguns problemas técnicos e pela falta de conteúdo original. O The Daily também deixa a desejar na divulgação: o número de tweets do jornal, por exemplo, não tem sido o suficiente para chamar a atenção de novos assinantes.

Pouco mais de um mês depois do lançamento do The Daily, o Brasil também criou o seu primeiro jornal de conteúdo exclusivo para o tablet da Apple, O Brasil 247, produzido pela Woodwing. O produto recebe o nome por ser um jornal digital 24 horas por dia, 7 dias por semana.

Apesar de se diferenciar do The Daily por ser gratuito, o 247 tem problemas de periodicidade. O projeto inicial era fornecer até duas edições diárias. De acordo com o site http://macworldbrasil.uol.com.br/, porém, no dia 10 de março só houve uma edição, e nos dias 11 e 14, não havia edições disponíveis para baixar no site de aplicativos da Apple.

Além disso, com o lançamento do Brasil 247, surge também uma nova questão: se nos Estados Unidos, onde o preço do iPad é mais acessível, o público é menor que o esperado, há quem consuma este tipo de produto no Brasil?

O futuro da publicação exclusiva para tablets depende da venda de iPads no país, e de acordo com levantamento da IDC, a Internet Data Center, 100 mil tablets foram vendidos no Brasil em 2010, sendo 90% deles da Apple. Para 2011, a previsão de venda é de 300 mil unidades.

Além disso, Steve Jobs já anunciou a produção de aparelhos de iPad em uma fábrica no Brasil, no interior do estado de São Paulo. Com previsão de investimento de US$ 12 bilhões em cinco anos, a Foxconn, fornecedora da Apple, deve anunciar até o fim deste mês a cidade onde a fábrica será instalada.

A produção deve começar ainda em novembro deste ano e espera-se que isto barateie os custos de produção e o Preço final do produto, aumentando o público interessado em publicações como o Brasil 247.
Entretanto, para agradar o público exigente que aumenta a cada dia, as empresas que produzem conteúdo jornalístico para tablets não deve simplesmente adaptar o conteúdo dos jornais impressos e online. Os jornais de iPad são consumidos por um público mais jovem do que o de um jornal impresso, o que requer uma linguagem diferenciada, textos curtos e recursos multimídia.

O que caracteriza o bom conteúdo para tablet é a exclusividade, a periodicidade, a diagramação própria para o tipo de tela e a utilização dos recursos interativos, que são de longe o grande atrativo dos aparelhos.

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